Como analisar um fundo de investimento

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Os fundos de investimento são uma forma prática de aplicar dinheiro, pois reúnem em um mesmo lugar diversos tipos de produtos financeiros. Eles oferecem opções para os mais variados perfis e níveis de risco. Para você ter uma ideia, só no Brasil existem mais de 14 mil fundos de investimento com inúmeras estratégias. Mas como analisar um fundo de investimento?

Apesar do tempo que você poupa investindo nesse tipo de produto, não saber muito bem como um fundo funciona ou não acompanhar o seu rendimento pode resultar em uma má escolha e até mesmo em prejuízo.

Quer aprender como analisar um fundo de investimento e saber quanto ele está rendendo? Veja o infográfico e continue lendo o texto.

Como analisar um fundo de investimento?

Acompanhar a performance de um fundo já foi uma tarefa mais difícil em outros tempos. Por exemplo, quando a única fonte de dados eram as planilhas da Anbima. A boa notícia é que hoje em dia existem ferramentas gratuitas disponíveis para comparação de fundos e que podem ser usadas por qualquer pessoa para fazer esse monitoramento.

Mas antes, é preciso ter alguns conceitos bem claros em mente.

As taxas podem ser as vilãs da sua carteira

Você sabe quanto custa investir em um fundo? Existem pelo menos três tipos de cobranças diferentes, fora os impostos: taxa de administração, taxa de performance e, em alguns casos, taxa de carregamento.

Taxa de administração

A taxa de administração é a tarifa que todos os fundos cobram para investir o dinheiro dos cotistas do fundo.

Essa taxa é recolhida diariamente pela instituição que faz a gestão do fundo, de modo que a rentabilidade apresentada todo mês já vem com esse custo descontado.

As taxas de administração dos fundos variam conforme a sua estratégia. Se o fundo tiver um perfil mais agressivo, com uma promessa de rentabilidade maior, ela tende a ser mais alta.

Para expressar sua rentabilidade, os fundos geralmente se baseiam em um indicador para fazer comparações. Ele é chamado de benchmark e pode ser o CDI, no caso de fundos mais conservadores, ou algum índice de ações, no caso de fundos mais agressivos. A partir daí, o fundo define se sua estratégia busca superar ou acompanhar esse benchmark.

É justamente nessa etapa que pode morar um problema, pois não faz sentido pagar uma taxa de administração alta para um fundo cuja proposta é apenas acompanhar o CDI.

Há alguns gestores de fundos, por exemplo, que cobram altas taxas de administração e sua estratégia apenas acompanha um determinado indicador. É diferente do caso de outro fundo em que o gestor precisa quebrar a cabeça para superar esse indicador.

Ou seja, uma taxa de administração mais alta para um fundo que apenas acompanha um benchmark é literalmente pagar caro por um esforço que não é tão grande assim. Há alguns fundos, por exemplo, que cobram taxas altas por fundos DI que nem chegam perto do CDI. É literalmente pagar caro para um gestor não fazer tanto esforço assim.

Taxa de performance

Para fundos que prometem rentabilidade acima de um determinado benchmark, geralmente há uma cobrança além da taxa de administração: a taxa de performance.

Ela geralmente é representada como um percentual do indicador que o fundo tem como benchmark. Um fundo que busca superar o Índice Bovespa –  o principal índice do mercado de ações no Brasil -, pode expressar sua taxa de performance como “20% do que exceder o Ibovespa”.

Na prática, isso quer dizer que se a rentabilidade ultrapassar o rendimento do Ibovespa em determinado mês, 20% desse resultado fica para o fundo. Se ela for igual ou menor, não há cobrança de taxa de performance.  

Taxa de carregamento

A taxa de carregamento incide sobre cada novo aporte feito no fundo. Assim, um cotista que investe R$ 1 mil por mês em um fundo com uma taxa de carregamento de 0,3%, depositará, na prática, R$ 970 nesse fundo.

Isso porque os outros R$ 30 foram pagos ao gestor do fundo para “carregar” o dinheiro do cotista nesse investimento.

Apesar de ser mais comum em fundos de previdência, é possível encontrar até fundo DI, o mais conservador, que cobra esse tipo de taxa. Por isso, toda atenção é válida para escolher bem onde investir.

Rentabilidade passada não garante retorno futuro

Você provavelmente já se empolgou com algum investimento ao ouvir dizer que ele rendeu 200% do CDI nos últimos meses. Muito bem. Mas isso não quer dizer que ele vai continuar rendendo nessa proporção. É possível até que ele tenha uma performance negativa dali em diante.

Olhar como um investimento se comportou no passado é importante para saber se, por exemplo, ele entregou de fato o retorno que prometeu. O ideal, nesse caso, é observar um período de pelo menos um ano.

No entanto, esse parâmetro de comparação de fundos não serve para prever o comportamento desse fundo no futuro. Afinal, não dá para dirigir um carro olhando somente pelo retrovisor.

Seu fundo está arriscando demais em troca de pouco retorno?

Outro dado interessante para observar é a volatilidade do fundo. O nome é pouco amigável mas, de forma simplificada, esse é um indicador que mostra o quanto a rentabilidade de um fundo pode oscilar.

Essa é uma medida que indica o risco de investir em uma aplicação, pois quanto maior é a volatilidade, maiores são as chances de o fundo entregar um resultado negativo. Mas, por outro lado, a possibilidade de resultados acima da média também aumenta.

Assim, vale fazer uma análise casada da volatilidade de um fundo versus o retorno que ele entregou. Isso pode mostrar, inclusive, o quanto a gestão desse fundo tem sido competente ou não para entregar os resultados que promete. Sempre lembrando que não adianta analisar um período muito curto.

Como fazer uma comparação de fundos?

Todos os fundos são obrigados por lei a divulgar informações sobre os produtos em que eles investem, quais são os riscos de aplicar dinheiro neles e qual foi o resultado entregue em um período de pelo menos 12 meses.

Essas informações ficam disponíveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de fundos. A Associação Brasileira das Entidades de Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), entidade que representa essa indústria, também divulga um relatório mensal detalhado com informações sobre captação e taxas de administração dos fundos.

Os sites das próprias instituições que oferecem fundos de investimento também precisam divulgar as lâminas dos fundos, documentos que contêm todas as informações essenciais para quem quer investir.

Mas você já deve ter deduzido que, se existem dezenas milhares de fundos no mercado brasileiro, as informações sobre eles também não são poucas.

Pensando nisso, a Magnetis desenvolveu uma ferramenta de comparação de fundos para ajudar as pessoas a acessarem esses dados de forma simples e rápida. Nela, é possível ver as principais características desses fundos e o melhor: compará-los com outros fundos.

Também é possível ver como foi a performance desses fundos em relação aos principais benchmarks usado nesse mercado, como o CDI e o Ibovespa.

E aí, gostou de aprender como analisar um fundo de investimento? Se tiver alguma dúvida, deixe aqui nos comentários.

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

 

As opiniões expostas neste artigo são baseadas na visão do autor e não necessariamente refletem o entendimento do Yubb.