Bitcoin: o que é e como investir?

Nos últimos meses, o Bitcoin tem aparecido cada vez mais na mídia, fazendo com que muitas pessoas tivessem curiosidade em aprender sobre isso.

Inevitavelmente, a maioria das notícias acaba sendo muito superficial nas explicações e focadas muito mais em enfatizar os riscos envolvidos ao operar essa criptomoeda.

Neste artigo, falarei sobre as principais características do Bitcoin, bem como suas vantagens e riscos, para que você possa decidir por conta própria se deve investir nesse ativo.

Antes de continuar lendo o texto, dê uma olhada nesse infográfico =)

Bitcoin

Como surgiu o bitcoin?

O Bitcoin é considerado uma criptomoeda, ou seja, uma moeda protegida por criptografia.O projeto foi divulgado pela primeira vez em 2008, em um paper escrito por Satoshi Nakamoto, que é o suposto criador do Bitcoin, mas que ninguém conhece.

Acredita-se que esse pseudônimo pode ser também a representação de um grupo de programadores que se juntaram para o projeto e quiseram manter o anonimato.

Em 2009, a blockchain começou a funcionar, sendo que a primeira transação foi feita de Satoshi Nakamoto para Hal Finney, em 12 de janeiro de 2009.

A blockchain é a principal tecnologia por trás do Bitcoin, pois é nela que se torna possível os envios da moeda.

Ela é semelhante a um livro contábil, no qual ficam registradas todas as transações feitas com Bitcoin, desde o início de sua história.

Essas transações são totalmente abertas ao público. Você pode verificar isso neste site: https://blockchain.info/pt

O primeiro uso real do Bitcoin como moeda ocorreu em 22 de maio de 2010, quando um programador ofereceu pagar 10 mil Bitcoins por 2 pizzas grandes, valor que na época era cerca de US$ 40,00.

Com o Bitcoin hoje valendo cerca de US$ 10 mil, o preço dessas duas pizzas teria sido de US$ 100 milhões!

Principais características do bitcoin

1) Rede descentralizada

Por meio da blockchain, é possível enviar Bitcoins para qualquer lugar do mundo, sem precisar da intermediação de nenhuma empresa ou instituição.

Pelo seu computador ou smartphone, você pode enviar dinheiro do Brasil para o Japão, sem depender do banco.

2) Alta velocidade

Quando fazemos transferências bancárias dentro do próprio país, as transações costumam ser instantâneas.

E para enviar para o exterior? É uma grande burocracia!

Você precisa preencher documentos específicos, pedem códigos de IBAN, SWIFT, etc. que dá muita dor de cabeça.

Depois de feito todo o procedimento burocrático, o valor demora alguns dias (ou até semanas) para chegar a seu destino.

Com o Bitcoin, você consegue enviar para o exterior em questão de horas (ou até minutos).

3) Custos mais baixos

No início, o Bitcoin conseguia realizar transações muito rápidas e com custos praticamente irrelevantes.

Conforme tem crescido sua adoção, as transações têm congestionado a blockchain e feito com que os custos tenham aumentado muito para quem quer uma transação com maior velocidade.

Ainda é possível pagar centavos pelas transações com Bitcoin, mas isso pode comprometer um pouco a velocidade da sua transação.

4) Funcionamento 24 horas

Ao contrário de bancos e empresas em geral, a blockchain funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Se você quiser enviar recursos às 22h no dia de Natal, conseguirá enviar da mesma maneira que nos horários comerciais.

5) Transações irreversíveis

Uma vez realizada e confirmada a sua transação, ela não poderá mais ser desfeita.

Por um lado, isso traz muita credibilidade ao receber um pagamento.

Por outro, você precisa ter muito mais atenção ao lidar com seu dinheiro, pois não terá a quem recorrer caso transfira algum valor errado ou para um endereço errado.

6) Anonimato parcial

Quando você realiza transações via Bitcoin, os agentes participantes da transação são identificados somente pelo endereço público de onde estão enviando as moedas.

Não é necessário informar nome, RG, CPF ou qualquer outro dado.

Isso é considerado um anonimato apenas parcial, pois, se a pessoa sabe que está negociando com você, também fica sabendo que aquele endereço é seu.

A lógica é semelhante a utilizar um nickname em um fórum. Você tem aquele nome que representa sua pessoa, mas a maioria não sabe quem é você de verdade.

7) Escassez

As moedas que conhecemos, como real, dólar, euro, entre outras, podem ser infinitas, pois o Governo pode emitir mais moeda quando quiser.

O Bitcoin, por sua vez, tem um limite de unidades que existirão.

Desde sua criação, já estava em suas regras que no ano de 2140, haverá exatamente 21 milhões de Bitcoins.

Hoje, existem pouco menos de 17 milhões de unidades (você pode consultar aqui: https://coinmarketcap.com/currencies/bitcoin/).

8) Divisibilidade

Muitos pensam que nunca conseguirão investir em Bitcoin, pois o preço dele está muito alto (na casa dos 30 e poucos mil reais).

Porém, assim como as outras moedas, o Bitcoin também é divisível, mas na verdade ele tem 8 casas após a vírgula.

Portanto, você poderia comprar 0,00000001 Bitcoin (ou 1 satoshi, como é chamado o “centavo” do Bitcoin), que seria bem menos de 1 centavo de real aos preços de hoje.

9) Mineração

Novos Bitcoins são gerados pelo processo de mineração.

Minerar, na prática, significa resolver problemas matemáticos bastante complexos, que somente computadores com superprocessamento são capazes de fazer, com o objetivo de validar as transações realizadas na blockchain.

Quando algum computador consegue resolver o problema, ele envia a resposta para a blockchain, para que os outros computadores tirem a prova de que aquilo está correto.

Se houver a concordância, significa que a transação realizada foi confirmada e o minerador recebe Bitcoins (ou satoshis) como recompensa.

10) Livre mercado

O preço do Bitcoin varia de acordo com o mercado.Como não existe nenhuma instituição por trás, não há como manipular ou represar preços forçadamente e podem existir (e realmente existem) grandes players do mercado que movimentam quantidades enormes de Bitcoins a seu bel prazer.

No entanto, mesmo eles têm uma quantidade finita de dinheiro e não podem manipular o mercado sozinhos por tanto tempo.

Por esse motivo, os preços inevitavelmente seguem seu rumo de acordo com a demanda do mercado.

Principais riscos do bitcoin

1) Risco de mercado

O risco de mercado tem relação com o preço de um ativo.

No caso do Bitcoin, como dito logo acima, o preço se movimenta livremente, podendo ter oscilações muito bruscas.

Para se ter uma ideia, o preço em 2017 variou de US$ 1.000,00 a US$ 19.000,00, ou seja, chegou a multiplicar por 19 vezes dentro de um único ano.

E agora está em cerca de US$ 10.000,00, o que representa uma queda de quase 50%.

Sem contar que chegou a voltar aos patamares de cerca de US$ 6.000,00 também neste ano de 2018, o que seria uma queda de quase 70% em relação ao valor de US$ 19.000,00.

Isso significa que, se você comprar o ativo muito sobrevalorizado, corre o risco de ter grandes prejuízos no curto prazo.

No entanto, se você a tecnologia e o futuro do Bitcoin forem de sucesso, os preços atuais deixarão saudades.

2) Risco de não adoção

Para uma moeda ter sucesso, é necessário um grande fator, que se chama adoção.

Aproveito aqui para dizer que o Bitcoin não tem lastro em nada (e muitos usam esse argumento como motivo para não comprar).

Porém, a verdade é que NENHUMA moeda atualmente tem lastro.

O padrão ouro extinguiu-se já há bastante tempo e, hoje, nem mesmo o dólar é lastreado em ouro.

As moedas estatais são utilizadas simplesmente pelo fato da adoção. Ou, melhor dizendo, da imposição dos Governos.

E, como o Bitcoin não tem nenhum Governo para impor seu uso, pode acontecer de nunca vir a ser adotado em massa.

No entanto, vale a pena dizer que é uma moeda com grande crescimento em adesão nos últimos anos, embora ainda longe de se tornar realmente globalizada e de uso cotidiano.

3) Risco de proibição

Além de os Governos não aderirem ao uso do Bitcoin, eles podem ainda proibir e caracterizar seu uso como crime.

Uma das justificativas de quem é contra é falar que o Bitcoin tem sido usado para lavagem de dinheiro, tráfico, pornografia, fraudes e pirâmides.

É claro que, com o Bitcoin, isso pode se tornar mais fácil. Mas seria o mesmo que querer proibir a internet pelo fato de ela facilitar esse tipo de prática também.

Vale lembrar que a própria internet, no seu início (e que não faz tanto tempo assim), era usada somente por nerds, hackers, criminosos, pedófilos, etc.

Em pouco tempo, ela começou a ser amplamente utilizada pelo cidadão comum, que enxergou nela diversas vantagens de uso em seu dia a dia.

Imagino que o Bitcoin pode seguir um caminho parecido e, como alguns países já sinalizam regulamentações para seu uso (inclusive a Receita Federal já tem criptomoedas em seu regulamento), acho bastante improvável uma proibição aqui no Brasil.

4) Risco de perda

O Bitcoin tem uma característica muito interessante de que você é quem tem poder total sobre o valor que tiver guardado em sua wallet (falarei sobre ela a seguir).

Portanto, caso você esqueça a senha, perca seu hardware e não faça um backup adequado, não terá a quem recorrer para recuperar seus Bitcoins.

A ideia dele é que você seja seu próprio banco e tenha a responsabilidade total sobre seu dinheiro.

Como comprar bitcoin

Agora que você já conhece as características e os riscos do Bitcoin, como fazer para comprar?

Primeiramente, ele é negociado em uma exchange, que é semelhante a uma corretora de valores, mas funciona somente para negociar Bitcoin e outras criptomoedas.

Normalmente, existe pouca burocracia para se criar conta em uma exchange. O processo costuma ser muito rápido.

Feito isso, você envia em reais para lá e faz a compra do seu Bitcoin.

Tendo o Bitcoin, o ideal não é deixar na própria exchange. Porém, ao se fazer isso, a chave privada não fica em seu poder, e você corre o risco de perda dos Bitcoins por fraude na exchange ou invasões de hackers.

É muito importante que você tenha também uma wallet para armazenar os Bitcoins sob seu controle.

Essa wallet pode ser on-line, pode ser um software que você salva em seu computador, pode ser um hardware comprado (semelhante a um pen-drive, mas com tecnologia diferente) ou uma paper wallet (na qual você imprime a chave privada para acesso posteriormente).

 

E será que o bitcoin precisa ser declarado no imposto de renda? Para quem não sabe como fazer a declaração, criei em 2017 o curso chamado “Imposto de Renda nos Investimentos”, que ensina como declarar Tesouro Direto, títulos privados, ações e fundos imobiliários. Neste ano, estou incluindo a declaração de criptomoedas também.

 

Entendeu o que é Bitcoin? Vai comprar alguma criptomoeda? Se ficou alguma dúvida, deixe um comentário!

Vitor Hernandes

Vitor Hernandes é paulistano e tem 28 anos. Fundador do blog Jornada do Dinheiro. Pós-graduando em Finanças, Investimentos e Banking (FIB) pela PUC. Tradutor de formação, investidor por vocação e educador financeiro como missão de ajudar a população brasileira. Eterno aluno, pois sempre há algo novo a aprender, estuda educação financeira e investimentos por hobby, além de atuar no mercado financeiro desde 2011. Os fundos imobiliários são seus investimentos preferidos.

As opiniões expostas neste artigo são baseadas na visão do autor e não necessariamente refletem o entendimento do Yubb.