Quais são os impostos dos investimentos?

0
98
quais são os impostos dos investimentos?

Já parou para pensar quais são os impostos dos investimentos? Existem diversos impostos que incidem sobre cada tipo de aplicação. Se você está buscando alguma alternativa para fazer o seu dinheiro render mais, provavelmente já se deparou com essa questão.

Quase todas as aplicações financeiras estão sujeitas ao pagamento de tributos. Geralmente, eles são recolhidos automaticamente no resgate, ou seja, quando uma pessoa saca o valor investido.

Porém, existem algumas diferenças importantes e que podem afetar a rentabilidade dos seus investimentos. Vale considerá-las antes de decidir qual é a melhor alternativa para você.

Vamos entender a seguir quais são os principais impostos dos investimentos.

quais são os impostos dos investimentos?

1. Imposto de Renda (IR)

O IR é o principal imposto que incide sobre as aplicações financeiras. Ele é recolhido pela Receita Federal e seu cálculo é feito sobre a diferença entre o valor que você investiu e a quantia que resgatou.

Para facilitar, um exemplo: imagine que você tenha investido R$ 1 mil em renda fixa há dois anos. Este ano, você percebeu que sua aplicação está valendo R$ 1,2 mil. Logo, ela rendeu R$ 200 (ou 20%) nesse período.

Porém, ao sacar o valor, percebeu que a quantia resgatada foi de R$ 1.170. Esse desconto aconteceu por causa do IR, que comprometeu 15% do rendimento da sua aplicação. Assim:

1.200 (valor final)  – 1000 (valor inicial) = 200 (rendimento bruto da aplicação)
200 – 15% de IR = 170 reais (rendimento líquido)
Valor total a sacar: R$ 1.170

Muitas pessoas se confundem com o cálculo do IR ou nem levam esse imposto em conta na hora de aplicar seu dinheiro. Porém, principalmente na renda fixa, o IR faz toda a diferença na rentabilidade líquida do seu investimento.

Isso acontece porque as alíquotas de IR são regressivas: elas variam conforme o tempo em que os recursos permanecem investidos. Quanto maior for esse tempo, menor tende a ser o porcentual de IR a ser pago. Veja na tabela a seguir:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de Imposto de Renda
Até 180 dias (6 meses)22,5%
Entre 181 e 360 dias (6 meses e 1 ano)20%
Entre 361 e 720 dias (1 ano e 2 anos)17,5%
Acima de 721 dias (2 anos)15%

 

Percebeu a diferença? É por isso que o prazo recomendado para investir em renda fixa é de pelo menos 2 anos. Esse é o tempo mínimo para que a pessoa resgate seu dinheiro pagando a menor alíquota de IR.

A regra do IR regressivo é válida para a maioria dos fundos de renda fixa e aplicações dessa família. As únicas exceções são:

  • investimentos em LCI e LCA, que são isentos desse imposto;
  • fundos de previdência, que possuem uma mecânica diferente de cálculo;
  • aplicações em renda variável, cujo IR é de 15% sobre os lucros.

2. Come-cotas

Se você já aplicou seu dinheiro em fundos de investimento ou se interessa pelo assunto, já deve ter ouvido falar do come-cotas. Ele nada mais é do que uma espécie de antecipação do Imposto de Renda.

O come-cotas incide sobre os fundos de renda fixa e boa parte dos fundos multimercado. Uma vez a cada seis meses, no último dia útil de maio e de novembro, a Receita Federal recolhe automaticamente o IR referente ao período, considerando a alíquota mínima de 15%.

Quando há algum resgate, o fundo considera o prazo da aplicação para calcular o IR correspondente, de acordo com a tabela regressiva.

Na prática, isso significa que, se você resgatar o dinheiro de um fundo sujeito a come-cotas antes de 2 anos da aplicação (721 dias), terá de pagar a diferença de IR entre os 15% já descontados e a alíquota referente ao período em que o valor permaneceu investido.

E vale lembrar que, mesmo após 2 anos do investimento, há um pequeno diferencial de IR que precisa ser pago caso o resgate seja feito no meio de um período em que ainda não houve cobrança de come-cotas.

3. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)

No mundo dos investimentos, o IOF é um imposto cobrado sobre aplicações feitas e resgatadas em um prazo inferior a 30 dias. Funciona como uma espécie de “multa” pela retirada do dinheiro antes de a aplicação completar um mês.

As alíquotas do IOF incidem somente sobre o rendimento das aplicações e também são regressivas, ou seja, diminuem à medida que o prazo do investimento aumenta.

Elas começam em 99%, para o caso de aplicações resgatadas no dia seguinte ao do investimento e vão até 3% para aplicações de 29 dias. No 30º dia, a alíquota cai para zero.

4. Impostos sobre previdência privada

Como já falamos, as aplicações em fundos de previdência privada obedecem uma regra diferente para o cálculo do IR.

Como esses fundos estimulam as aplicações de longo prazo (pelo menos 10 anos), há dois regimes de cálculo:

Tabela regressiva

Na tabela regressiva, quanto mais tempo o dinheiro permanecer aplicado, menor será a alíquota de IR cobrada. O grande diferencial, nesse caso, é que essa cobrança pode chegar a 10% do rendimento. Veja na tabela a seguir:

Prazo da aplicaçãoAlíquota de Imposto de Renda
Até 2 anos35%
Entre 2 e 4 anos30%
Entre 4 e 6 anos25%
Entre 6 e 8 anos20%
Entre 8 e 10 anos15%
Acima de 10 anos10%

 

Tabela progressiva

A tabela progressiva segue a mesma lógica do IR cobrado sobre salários e aluguéis. Isso porque, terminado o período em que a pessoa precisa contribuir (período de acumulação), ela desfrutará de uma renda mensal, que será considerada como uma espécie de salário.

Nesse caso, basta fazer o ajuste na declaração anual de Imposto de Renda, uma vez que os impostos já são recolhidos na fonte.

Renda anual total (2018)Alíquota de Imposto de Renda
Até R$ 22.847,16Isento
Entre R$ 22.847,17 e R$ 33.919,807,5%
Entre R$ 33.919,81 e R$ 45.012,6015%
Entre R$ 45.012,61 e R$ 55.976,1622,5%
Acima de R$ 55.976,1627,5%

 

5. Impostos no mercado de ações

Na família da renda variável, as regras do IR não levam em conta o prazo do investimento. As alíquotas são as seguintes:

  • 15% sobre operações normais com ações, fundos de ações, ETFs e derivativos (opções de ações, moedas, juros, commodities e assim por diante);
  • 20% sobre operações day-trade (compra e venda no mesmo dia);
  • 20% sobre operações com fundos imobiliários.

Também há isenções de IR nesse mercado. Elas são para:

  • operações normais com ações cujo valor total de venda não ultrapasse R$ 20 mil no mês;
  • rendimentos mensais de fundos imobiliários;
  • dividendos.

Além do IR, que é um imposto do governo federal, também pode haver incidência de impostos estaduais.

Em São Paulo, por exemplo, todas as transações na Bolsa de Valores estão sujeitas ao Imposto sobre Serviços (ISS), que é de aproximadamente 0,006% sobre o valor da operação.

É importante lembrar que, diferente das aplicações em renda fixa, os impostos para quem investe no mercado de ações não são recolhidos na fonte. Ou seja, é a própria pessoa quem deve se responsabilizar pelo pagamento.

Por isso, para quem investe por conta própria, é necessário prestar bastante atenção aos prazos e ao cálculo que deve ser feito para recolher esses impostos, de modo a evitar problemas com o Fisco no futuro.

6. Impostos sobre investimentos no exterior

O principal imposto que incide sobre os investimentos fora do Brasil é o IR sobre ganho de capital, que é de 15% sobre o lucro. Essa alíquota também é válida para fundos de ações e multimercado que investem no exterior, como os fundos exclusivos da Magnetis.

Porém, dependendo do país e da condição da pessoa que investe (residente ou não residente), as alíquotas podem variar. Vale a pena consultar um especialista para identificar qual é a melhor alternativa para você.

 

Agora que você entende melhor sobre os impostos dos investimentos, pode escolher a melhor alternativa para você. Ficou com alguma dúvida ou quer contar a sua experiência? Basta deixar aqui nos comentários!

 

Luciano Tavares

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

 

As opiniões expostas neste artigo são baseadas na visão do autor e não necessariamente refletem o entendimento do Yubb.