Basicamente, as operações de swap são utilizadas para mitigar riscos tanto dos investimentos quando do endividamento. Para conseguir isso, é feita a troca de indexadores dessas operações.

Relembrando: um indexador é um índice utilizado como referência para corrigir o valor de um ativo ou de um compromisso financeiro. Por exemplo, o aluguel pode ser corrigido pelo IPCA, um CDB pode render um percentual do CDI, e assim por diante.

Vejamos agora mais detalhes sobre as operações de swap.

Para que serve o swap?

Como vimos, o swap serve para proteger o patrimônio e as dívidas das oscilações do mercado. Dessa forma, ele proporciona mais previsibilidade para o investidor e, também, para o devedor.

Além da proteção, o swap também pode ser utilizado para especulação, no sentido de se obter ganhos no curto prazo. A seguir, veremos alguns dos principais tipos de swap, e entenderemos com exemplos como essas operações são feitas.

Swap cambial

Esse é um dos tipos de swap mais comuns no mercado financeiro. Essa operação consiste na troca da variação cambial por um indexador pré-definido, que pode ser o CDI ou uma taxa prefixada.

Um exemplo ajudará a entender melhor a operação:

Uma empresa brasileira adquiriu uma máquina importada dos EUA. O pagamento será realizado quando o equipamento for entregue, após 6 meses da compra.

Essa empresa só atua no mercado nacional, logo não possui receitas em dólar. Dessa forma, se o dólar estiver mais alto no dia do pagamento do bem, ela terá perdas pois estará desprotegida da variação cambial.

Nessa situação, para evitar que a dívida aumente pela oscilação da moeda, ela pode contratar um swap para trocar o indexador da operação. Nesse caso, a taxa do dólar poderia ser trocada pelo CDI ou por uma taxa pré-fixada. Em ambos os casos, a dívida estaria atrelada ao mercado nacional, e não mais ao dólar.

O swap cambial também é chamado de hedge cambial. No exemplo acima, ele foi utilizado por uma empresa importadora. Porém, é muito comum também as exportadoras fazerem swap para protegerem os seus recebíveis de uma possível desvalorização cambial.

O hedge é um importante instrumento financeiro de proteção dos ativos. Veja nesse artigo como ele funciona.

Swap de índices

O swap de índices segue a mesma lógica do swap cambial. A diferença é que, nesse caso, a troca é feita entre indexadores, como IPCA, IGP-M, INPC, ou por um índice de ações, como o IBOVESPA, por exemplo.

Swap de taxas de juros

Nessa situação, acontece a troca de uma taxa prefixada por uma pós-fixada, ou vice versa. A taxa pode estar associada a determinado contrato, seja ele um investimento ou um financiamento.

Vejamos outro exemplo:

Um investidor adquiriu um CDB pós-fixado, que rende um percentual do CDI. Como os juros estão em queda, o rendimento do investimento também reduzirá com o passar do tempo. Dessa forma, para proteger o CDB da queda dos juros, o investidor pode fazer um swap do CDI para uma taxa para prefixada.

É importante saber que, ao optar pela taxa prefixada, o investidor abre mão definitivamente do CDI. Isso significa que, mesmo que a tendência do mercado mude e as taxas comecem a subir, o rendimento do CDB será a nova taxa acordada.

Swap de commodities

No swap de commodities, duas instituições trocam os fluxos relativos às variações de cotações de commodities. Esses contratos servem para mercadorias como petróleo, milho, soja, boi gordo, entre outros.

O swap de commodities são muito utilizados por empresas exportadoras e importadoras.

Swap tradicional e swap reverso

Agora que já vimos os principais tipos de swap, que tal nos aprofundarmos mais um pouco nessas operações? Vamos lá?

Swap tradicional

Essa operação é feita pelo Banco Central quando há tendência de alta do dólar. Nessa situação, é oferecida ao investidor a variação do câmbio mais um prêmio. Em contrapartida, ele deve pagar ao Banco Central a variação da taxa de juros que ocorrer no período do contrato.

Ou seja, essa operação ocorre quando o investidor acredita que o dólar subirá mais do que os juros. Por sua vez, ao fazer o swap tradicional, o Banco Central alivia a demanda sobre o dólar. Essa é uma forma de tentar conter a alta da moeda, pois isso acaba impactando na inflação.

Aqui no blog já falamos sobre o fenômeno da inflação, e como ele pode afetar a economia de forma geral. Veja neste artigo.

Swap reverso

Já o swap reverso é utilizado na situação contrária, ou seja, quando é preciso evitar quedas bruscas na cotação do dólar. Isso é importante para proteger empresas exportadoras da desvalorização cambial.

Ao fazer essas operações, o Banco Central se compromete a pagar uma taxa de juros aos compradores do swap. Por sua vez, esses investidores pagarão à instituição a variação do dólar no período do contrato.

Perceba que o swap tradicional e o reverso têm o mesmo mecanismo de funcionamento. O que muda é a rentabilidade que cada uma das pontas recebe pela operação. Ou seja, no tradicional o BC para a variação cambial, e no reverso ele paga a taxa de juros acordada.

Tributação no swap

O lucro das operações de swap terá a incidência do imposto de renda. Nesse sentido, o cálculo do tributo é semelhante às aplicações de renda fixa. Ou seja, ele segue a tabela regressiva, com alíquotas que começam em 22,5% e chegam a 15% dependendo do prazo da aplicação.

No entanto, a Receita Federal permite que as empresas não-financeiras deduzam as perdas com swap. Para isso, deverão comprovar que tais operações foram feitas para cobertura de risco.

Por fim, as operações de swap também sofrem a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nesse caso, o tributo é cobrado quando ocorre a emissão, transmissão, pagamento ou resgate do contrato negociado.

E então? Deu para entender como o swap funciona e qual a sua importância no mercado financeiro? Gostaria de saber mais sobre o assunto, ou sobre outras formas de proteção de investimentos? Deixe aqui os seus comentários!